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Interpretação de Texto

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1 Interpretação de Texto em Qua Nov 02, 2011 9:26 pm

Werill


Membros
Véspera de um dos muitos feriados em 2009 e a insana tarefa de mover-se de um bairro a outro em São Paulo para uma reunião de trabalho. Claro que a cidade já tinha travado no meio da tarde. De táxi, pagaria uma fortuna para ficar parada e chegar atrasada, pois até as vias alternativas que os taxistas conhecem estavam entupidas. De ônibus, nem o corredor funcionaria, tomado pela fila dos mastodônticos veículos. Uma dádiva:
eu não estava de carro. Com as pernas livres dos pedais do automóvel e um sapato baixo, nada como viver a liberdade de andar a pé. Carro já foi sinônimo de liberdade, mas não contava com o congestionamento.

Liberdade de verdade é trafegar entre os carros, e mesmo sem apostar corrida, observar que o automóvel na rua anda à mesma velocidade média que você na calçada. É quase como flanar. Sei, como motorista, que o mais irritante do trânsito é quando o pedestre naturalmente te ultrapassa. Enquanto você, no
10 carro, gasta dinheiro para encher o ar de poluentes, esquentar o planeta e chegar atrasado às reuniões. E ainda há quem pegue congestionamento para andar de esteira na academia de ginástica.

Do Itaim ao Jardim Paulista, meia horinha de caminhada. Deu para ver que a Avenida Nove de Julho está cheia de mudas crescidas de pau-brasil. E mais uma porção de cenas que só andando a pé se pode observar. Até chegar ao compromisso pontualmente.

Claro que há pedras no meio do caminho dos pedestres, e muitas. Já foram inclusive objeto de teses acadêmicas. Uma delas, Andar a pé: um modo de transporte para a cidade de São Paulo, de Maria Ermelina Brosch Malatesta, sustenta que, apesar de ser a saída mais utilizada pela população nas atuais condições de esgotamento dos sistemas de mobilidade, o modo de transporte a pé é tratado de forma inadequada pelos responsáveis por administrar e planejar o município.

As maiores reclamações de quem usa o mais simples e barato meio de locomoção são os "obstáculos" que aparecem pelo caminho: bancas de camelôs, bancas de jornal, lixeira, postes. Além das calçadas estreitas, com buracos, degraus, desníveis. E o estacionamento de veículos nas calçadas, mais a entrada e a saída em guias rebaixadas, aponta o estudo.

Sem falar nas estatísticas: atropelamentos correspondem a 14% dos acidentes de trânsito. Se o acidente envolve vítimas fatais, o percentual sobe para nada menos que 50% – o que atesta a falta de investimento público no transporte a pé.

Na Região Metropolitana de São Paulo, as viagens a pé, com extensão mínima de 500 metros, correspondem a 34% do total de viagens. Percentual parecido com o de Londres, de 33%. Somadas aos 32% das viagens realizadas por transporte coletivo, que são iniciadas e concluídas por uma viagem a pé, perfazem o total de 66% das viagens! Um número bem desproporcional ao espaço destinado aos pedestres e ao investimento público destinado a eles, especialmente em uma cidade como São Paulo, onde o transporte individual motorizado tem a primazia.

A locomoção a pé acontece tanto nos locais de maior densidade – caso da área central, com registro de dois milhões de viagens a pé por dia –, como nas regiões mais distantes, onde são maiores as deficiências de 35 transporte motorizado e o perfil de renda é menor. A maior parte das pessoas que andam a pé tem poder aquisitivo mais baixo. Elas buscam alternativas para enfrentar a condução cara, desconfortável ou lotada, o ponto de ônibus ou estação distantes, a demora para a condução passar e a viagem demorada.

Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins, por exemplo, é fácil ver carrões que saem das garagens para ir de uma esquina a outra e disputar improváveis vagas de estacionamento. A ideia é manter-se fechado em shoppings, boutiques, clubes, academias de ginástica, escolas, escritórios, porque o ambiente lá fora – o nosso meio ambiente urbano – dizem que é muito perigoso.

(Amália Safatle. http: // terramagazine . terra . com . br, 15/07/2009. Adaptado.)

________________________________________________________________

Questão 24. Do título do texto, Meio ambiente urbano: o barato de andar a pé, NÃO se pode depreender que andar a pé é mais

I. prazeroso.
II. econômico.
III. divertido.
IV. frequente.

Estão corretas

A ( ) apenas I e II.
B ( ) apenas I, II e III.
C ( ) apenas I, III e IV.
D ( ) apenas II e IV.
E ( ) apenas II, III e IV.

________________________________________________________________

Gabarito:
Spoiler:
B ( ) apenas I, II e III.

Apesar de ter a resposta eu ainda não entendi.
Por que a afirmação II está correta, sendo que eu posso compreender que ela é verdadeira (o exercício pede a que NÃO se pode)? Além dela, as afirmações I e II me deixam em dúvida tendente à verdadeira, também.

O que acham?

Obrigado.

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2 Re: Interpretação de Texto em Qui Nov 03, 2011 1:11 am

Olha, talvez há algum problema com essa questão!

Se vc não omitiu nenhuma palavra do enunciado, provavelmente esteja com erro.
.
Pelo título Meio ambiente urbano: o barato de andar a pé, pode-se inferir que seja prazeroso, econômico e divertido. E ao ler o texto isso se confirma.

Só não se pode determinar que seja frequente, que, no caso seria IV a correta.

Se não tivesse o NÃO na pergunta, com certeza o correto seria a letra B.

Espero que isto possa ter ajudado
Flw

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3 Re: Interpretação de Texto em Qui Nov 03, 2011 4:14 pm

Werill


Membros
Então...

Minha dúvida era justamente essa, a pergunta está estranha mesmo.
O problema é que é questão da prova de português 2011 do ITA...

Veja a prova:
http : // www . ita . br/ vestibular /provas /portugues_2011.pdf
(tire os espaços pois não posso postar links dentro de 7 dias)

Obrigado!

_________________________

[Adicional]: Parabéns, você consegue escrever exatamente como pensa... Já eu, me embaralho todo e parece que escrevi nada com nada Sad

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4 Re: Interpretação de Texto em Qui Nov 03, 2011 9:52 pm

É, provavelmente esteja com erro mesmo. Não faz sentido.
Mas tá certo vc... interpretou corretamente.

Flw... qualquer dúvida só postar aí!

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